Como lidar com a flacidez no Lipedema
A flacidez é uma das consequências mais incômodas do lipedema, e não apenas do ponto de vista estético. Ela pode comprometer a autoestima, mas também dificultar o uso de roupas, causar desconforto físico e até interferir na prática de atividades físicas.
No entanto, mais do que um problema visual, a flacidez é um sinal de alterações profundas no tecido conjuntivo, intensificadas por fatores como inflamação crônica, deficiência circulatória, sedentarismo e alterações hormonais típicas da mulher com lipedema.
Ao contrário da flacidez associada à perda de peso, que muitas vezes é apenas temporária e responde bem a estímulos de tonificação, a flacidez no lipedema tem características estruturais e bioquímicas diferentes. Ela afeta um tecido adiposo que já nasceu inflamado, fibrosado e metabolicamente disfuncional.
Por isso, os cuidados precisam ser específicos, contínuos e integrados a um plano maior de tratamentos estéticos do lipedema.
Este guia é para quem sente o impacto da flacidez e busca caminhos reais para lidar com ela através de tratamentos estéticos, alimentação e exercícios físicos.
Flacidez no Lipedema – Cuidados Básicos
Exercícios para fortalecimento muscular e tônus
A prática de exercícios físicos é uma das formas mais eficazes de combater a flacidez mas, no lipedema, precisa ser adaptada à realidade inflamatória, à sensibilidade à dor e ao padrão biomecânico da paciente.
A musculatura profunda como o core abdominal, quadris e região escapular, por exemplo, tem papel essencial na sustentação da pele e do tecido adiposo.
Alguns treinos recomendados:
- Pilates clínico: fortalece músculos posturais e melhora a consciência corporal sem impacto.
- Musculação leve e progressiva: uso de elásticos, pesos leves e resistência progressiva para estimular o colágeno muscular e dérmico.
- Treinamento funcional terapêutico: com foco em estabilidade, força isométrica e resistência muscular localizada.
Deve-se evitar atividades de alto impacto. Também não é aconselhável o excesso de cardio tradicional em fases agudas, pois ele pode aumentar a inflamação periférica.
Saiba mais sobre os exercícios físicos para lipedema neste outro artigo, Clicando aqui.
O exercício é mais eficaz quando alinhado com os tratamentos estéticos que comentamos em um artigo anterior.
Cuidados com a pele
O cuidado com a pele não deve ser visto como mera vaidade. Ele é uma estratégia terapêutica de suporte à regeneração do tecido, à integridade da barreira cutânea e à estimulação de colágeno.
No lipedema, a pele tende a perder hidratação, elasticidade e firmeza mais cedo que o esperado, o que exige atenção redobrada.
Hidrate sua pele regularmente com:
- Manteigas vegetais puras (karité, cupuaçu): repõem lipídios e evitam microfissuras.
- Ácido hialurônico de baixo peso molecular: penetra nas camadas mais profundas e ajuda na retenção de água.
- Niacinamida: fortalece a barreira cutânea e tem ação anti-inflamatória.
A hidratação deve ser diária, de preferência logo após o banho, com movimentos de automassagem. E por falar em massagens…
Massagens com ativos naturais
Massagens regulares ajudam a estimular a circulação local, reduzir edema e melhorar o metabolismo do tecido.
No entanto, é importante lembrar que a eficácia das massagens para tratar o lipedema depende da constância.
Também é importante salientar que nenhum creme ou movimento funcionará bem sem suporte nutricional e muscular adequado.
Logo, não podemos negligenciar a importância da alimentação e dos exercícios físicos nesse processo.
Proteção solar e estímulo de colágeno
A exposição solar excessiva acelera a degradação das fibras de sustentação da pele. Isso não significa que você deve evitar o sol a todo custo, pelo contrário.
O sol na medida certa é um grande aliado da pele e da saúde como um todo, portanto:
- Use protetores solares físicos (com óxido de zinco ou dióxido de titânio) nas áreas expostas.
- Em tratamentos com laser ou radiofrequência, o uso de protetor é obrigatório por 30 dias.
- Aposte em dermocosméticos com retinol vegetal (bakuchiol), peptídeos e vitamina C estabilizada para estimular colágeno sem irritar peles sensíveis.
Tecnologias estéticas que ajudam na flacidez
As tecnologias não invasivas são grandes aliadas quando o objetivo é reafirmar a pele sem cirurgia.
No entanto, sua aplicação em pacientes com lipedema requer critério, experiência profissional e sensibilidade às limitações desse corpo.
Conheça alguns dos procedimentos estéticos mais indicados para lidar com a flacidez em pacientes com lipedema:
Radiofrequência (RF)
A radiofrequência aquece as camadas profundas da pele (derme e hipoderme), estimulando colágeno, elastina e circulação local. Ela também atua sobre as septações fibrosas, favorecendo a melhora da textura da pele.
- RF bipolar ou multipolar: são mais indicadas por serem superficiais e seguras para áreas sensíveis.
- Frequência de aplicação: 1 a 2 vezes por semana, em ciclos de 8 a 10 sessões.
- Melhor associada à drenagem linfática manual, especialmente quando há edema residual.
Ultrassom micro e macrofocado (HIFU)
O ultrassom atua em diferentes profundidades, provocando microlesões que ativam o processo de reparo do colágeno:
- Microfocado : para flacidez leve a moderada, usado em regiões como braços e joelhos.
- Macrofocado: usado em áreas mais profundas, como abdômen e coxas.
Infravermelho e luz pulsada
- O infravermelho estimula o metabolismo celular e a oxigenação, sendo útil em tratamentos combinados.
- A luz pulsada intensa (IPL) pode ser usada em áreas com comprometimento vascular superficial leve, desde que não haja sensibilidade exagerada ou púrpuras.
Tratamentos cirúrgicos para flacidez
Nem sempre os tratamentos menos invasivos são suficientes para restaurar a firmeza da pele em pacientes com lipedema, bem como em outros casos de flacidez.
Especialmente em quadros avançados ou pós-lipoaspiração, abordagens cirúrgicas podem ser indicadas para corrigir flacidez significativa, restaurar a harmonia corporal e melhorar a qualidade de vida. Mas é importante saber:
Quando a cirurgia pode ser indicada?
- Após grandes reduções de volume (espontâneas ou cirúrgicas), em que a pele não consegue se retrair significativamente e de forma natural.
- Em pacientes com flacidez tissular crônica e prejuízo funcional ou psicológico significativo.
- Quando há excesso de pele pendente, muito atrito entre as coxas causando lesões, ou dobras profundas, que causam assaduras ou infecções.
Nesses casos, é fundamental a avaliação conjunta entre o cirurgião plástico, o angiologista (ou flebologista) e o fisioterapeuta especialista em linfoterapia para avaliar riscos e planejar o melhor momento da intervenção.
Tratar a flacidez do lipedema com cirurgia requer cuidados específicos com o sistema linfático, pois o risco de linfedema secundário é grande quando há dissecção de tecidos profundos ou comprometimento de vasos linfáticos.
Cuidados pós-operatórios e controle da flacidez residual
O sucesso de um tratamento cirúrgico não depende apenas da técnica utilizada, mas também dos cuidados no pós-operatório imediato e tardio, especialmente em pessoas com lipedema, cuja resposta inflamatória é diferente da população geral.
Terapias de compressão personalizadas, drenagem linfática manual e outras práticas da fisioterapia dermatofuncional são os principais cuidados, também, em caso de cirurgia.
A reabilitação pós-cirúrgica deve ser focada em:
- Reeducação postural e de marcha;
- Fortalecimento da musculatura de sustentação;
- Liberação miofascial para prevenir aderências e rigidez.
Esse processo deve ser individualizado e adaptado ao quadro de lipedema residual que pode ou não ter sido completamente tratado na cirurgia.
A flacidez no lipedema não é apenas uma questão de aparência, é o reflexo de um tecido que foi sobrecarregado, inflamado e, muitas vezes, não cuidado adequadamente por vários anos.
Lidar com ela de forma eficaz exige mais do que cremes ou procedimentos: requer um plano de ação integrado, alinhado com o conhecimento aprofundado e atualizado sobre o lipedema e suas particularidades.
Mais do que buscar um “corpo firme”, o objetivo deve ser restaurar a funcionalidade, reduzir desconfortos e reforçar a autoestima, com expectativas realistas e foco no bem-estar a longo prazo.
Agende uma consulta e saiba como a Clínica Cíntia de Andrade pode lhe ajudar.


